Ilustracão de capa para a revista Entre livros por CárcamO

A pedido de John Laurino, o “Homem do Dia” de hoje é Albert Camus, ele  está completando 50 anos de sua morte.

Quem foi Albert Camus?

Albert Camus nasceu no dia 7 de novembro de 1913 na Argélia e faleceu no dia 4 de Janeiro de 1960 na França. Foi um escritor, filósofo e jornalista,  inclusive recebeu o Prêmio Nobel da Literatura em 1957. Ele é frequentemente citado como um defensor do existencialismo, mas o próprio Camus rejeitou esse rótulo específico. Especificamente, seus pontos de vista contribuíram para o surgimento da filosofia mais atual, conhecido como absurdismo.

Em 1949, Camus fundou o Grupo de Liaisons Internacional no âmbito da União Movimento Revolucionário, que foi um grupo de oposição a algumas tendências do movimento surrealista de André Breton.  Camus era o segundo mais jovem beneficiário do Prêmio Nobel de Literatura (depois de Rudyard Kipling), quando ele se tornou o primeiro escritor nascido na África  a receber o prêmio, em 1957. Ele é também teve a mais curta vida de qualquer  data de Nobel de Literatura, sendo que morreu em um acidente automobilístico há pouco mais de dois anos após ter recebido o prêmio.

Quais sãs as principais características de suas obras?

Albert possui uma reflexão inicial sobre o absurdo e o suicídio, a solidão e a morte, sendo que pouco a pouco se conduziu para a esperança e a solidariedade humana, como possíveis soluções do drama e do absurdo.

Em seus ensaios Camus apresenta ao leitor com dualismos: alegria e tristeza, escuridão e luz, vida e morte, etc.  Seu objetivo era enfatizar o fato de que a felicidade é passageira e que a condição humana é uma mortalidade.  Em Le Mythe, esse dualismo torna-se um paradoxo: Nós valorizamos muito a nossa vida e existência, mas ao mesmo tempo sabemos que acabaremos por morrer e finalmente nossos esforços são inúteis. Embora possamos viver com um dualismo (posso aceitar períodos de infelicidade, porque eu sei que também que a felicidade virá), nós não podemos viver com o paradoxo (acho que minha vida é de grande importância, mas eu também acho que não tem sentido).  Em Le Mythe, Camus estava interessado em nossa experiência sobre o absurdo e como podemos viver com ela.  Nossa vida deve ter significado para nós, para valorizá-la.  Se aceitarmos que a vida não tem sentido e, portanto, nenhum valor, devemos nos matar?

Em O Estrangeiro, Albert Camus caracteriza sua justificação do absurdo através das experiências de um protagonista que simplesmente não se conforma com o sistema.

A peste é uma parte inegável da vida. Como posta em A Peste (The Plague), é onipresente, assim como a morte. Para Camus, o raciocínio por trás da doutrina cristã é inútil, como seres mortais, não conseguimos raciocinar muito bem a sentença de morte imposta a todos os seres humanos. Neste romance, ele oferece a oportunidade fantástica para as pessoas perceberem que o sofrimento individual é um absurdo.

Quem foram suas influências?

Søren Kierkegaard, Fiódor Dostoiévski, Karl Marx, Franz Kafka, Herman Melville, Friedrich Nietzsche, Jean-Paul Sartre, Simone Weil, Victor Hugo, Pascal Pia, George Orwell, André Gide.

Quem foram influenciados?

Thomas Merton, Lucas Johnston, Jacques Monod, Jean-Paul Sartre, Orhan Pamuk, Mohsin Hamid, José Saramago.

Curiosidades:

– Durante a guerra, Camus se juntou ao francês Resistência célula Combat, que publicou um jornal clandestino do mesmo nome. Este grupo trabalhou contra os nazistas, nele Camus assumiu o nome de guerra “Beauchard”. Camus tornou-se editor do jornal em 1943 e quando os Aliados libertaram Paris, Camus informou sobre o passado da luta. Ele foi um dos poucos editores francês a expressar publicamente sua oposição ao uso da bomba atômica em Hiroshima, em 8 de agosto de 1945. Ele saiu do Combat em 1947, quando tornou-se um jornal comercial. Foi então que Camus conheceu Jean-Paul Sartre.

– Ao longo de sua vida, Camus se manifestou contra o totalitarismo, em suas diversas formas. Logo no início, Camus era ativo na resistência francesa à ocupação alemã na França durante a Segunda Guerra Mundial, mesmo dirigindo o jornal Resistência famoso, Combat. Com a colaboração francesa com os ocupantes nazistas, ele escreveu: “Agora, o único valor moral é a coragem, o que é útil aqui para julgar os fantoches e tagarelas que fingem falar em nome do povo”.

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