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Laize Kasmirski

Um espaço para a cultura da minha mente

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Contos

O menino, o subconsciente e a aranha

Autora: Laize Kasmirski

O quarto estava infestado de insetos, não sabia mais o que fazer para que parassem de surgir ainda mais. Encostou a janela e sentou na cama com suas mãos embaixo das coxas. Olhou para cima, o teto estava infestado deles. “Oh não, como vieram parar aqui? Saiam, saiam. Preciso dormir”. Não se deu por vencido, abriu a porta do quarto, atravessou correndo o corredor e voltou em seguida com uma vassoura na mão.

“Se não querem sair por bem, será por mal”. Começou a cutucar um a um os insetos que estavam no teto, assim que iam caindo, jogava-os contra a parede e em seguida arremessava-os para fora através da janela. Um a um foram saindo. Quando se esparramou na cama, cansado de tanto pular, correr e bater, escutou um barulho nos fundos de sua cama. Foi até a beirada ver o que era e encontrou um vagalume enroscado na teia da aranha. A aranha a cada meio tempo corria para cima do vagalume, golpeava e voltava. Assim permaneceram durante minutos.

Com pena do vagalume, o menino tentou ajudá-lo. Pegou seu chinelo e trouxe o inseto para fora de alcance da aranha. Como ele ficou grudado na sola de seu chinelo, levou-o até a janela e balançou-o até que voou longe. “Ok, já está bom por hoje. Esta aranha minúscula não irá atrapalhar meu sono”. Deitou em sua cama, cobriu-se até a cintura e desligou a luz.

Passaram-se minutos e algum inseto rapidamente pousou-lhe no braço, sem dar muita importância, o garoto apenas deu um tapaço para fazer o inseto cair longe e voltou a dormir. Quando finalmente roncava com a boca aberta e sua baba escorria para o travesseiro, sentiu que alguma coisa havia entrado em sua boca. Rapidamente fechou a boca e foi então que notou algumas cutucadas em sua língua. Não sabia como tiraria o bicho que ali encontrava, levantou ligeiramente e foi até o espelho ver o que era. Abriu a boca e lá estava a aranha a qual o garoto havia roubado sua comida. A aranha deu um pulo dentro de sua boca e encarou-o com seus respectivos 8 olhos e disse: “Seu idiota, como pode roubar meu jantar? Você não tem coração não? Ainda dizem que nós insetos é que possuímos sangue frio”. O menino neste momento, levou um susto tão grande que sua primeira reação foi engolir em seco. Só que ele não engoliu seco, ele acabou por engolir a aranha.

Atordoado, correu para o quarto de seus pais e gritou: “Acabei de engolir uma aranha que falava!”. Os pais dele acordaram com um pulo e perguntaram: “Você engoliu o que???”, o menino notou que acabara por falar demais, sabia que nunca acreditariam na história que a aranha falava e por fim disse: “eu engoli uma aranha viva”. Sua mãe chamou-o para perto e pediu: “Que tamanho tinha essa aranha meu filho?” O menino respondeu: “Assim óó” e tentou demonstrar o tamanho fazendo menção com sua mão direita. A mãe do menino observou sua boca, seus dentes e sua língua e finalmente disse: “Não se preocupe querido, está tudo bem, não vai mais acontecer nada, ela deve ter morrido asfixiada já”.

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Conquistando os prazeres que a vida oferece

Autora: Laize Kasmirski

Não recomendado para menores de 18 anos

Precisava de mais uma tragada para aliviar a mente, mais uma dose para espairecer meus pensamentos e mais uma picada para que me sentisse mais anestesiada. Ah, que sensação boa, pegar o cigarro com os dois dedos, colocá-lo entres os lábios e logo após de acesso, dar uma inspirada profunda. A bebida faz com que o gosto do cigarro desapareça um pouco da boca, gosto da sensação que a tragada gera, não do cheiro e nem do gosto.

Existe coisa melhor? Somos feitos para viver em busca do prazer, estou sempre buscando o meu particularmente. Em seguida, vou para o banheiro discretamente, pego a seringa já pronta dentro da bolsa e vou penetrando na pele de meu braço. Outra sensação maravilhosa, a agulha faz estremecer o corpo, o conteúdo relaxa a alma.

Saio do banheiro, me sentindo a dona do mundo, ninguém pode interferir meu caminho. Observo ao redor a procura de quem ira saciar o meu outro prazer… Encontro um rapaz bonito, alto, cabelos castanhos claros e olhos verdes. Esse mesmo! Ando em direção a ele, o qual estava apenas com a companhia da cerveja, e pergunto se poderia me sentar ao seu lado. Percebo em seguida que o moço ficou encantando com minha beleza e em seguida encarou os meus peitos. Na hora tive vontade de dar um tapaço, mas tive que aguentar, senão eu estragaria tudo. Ok, vamos iniciar o jogo.

Ele se aproximou de mim rapidamente e sussurrou alguma coisa no meu ouvido (alguma coisa quer dizer que não entendi nada), fiz uma carinha de sexy e dei um sorrisinho maroto, fazendo de conta que havia entendido. Esse foi um dos caras mais estúpidos que já peguei, tudo bem, depois consegui fazer render a noite.

Depois de muito tempo de amolação e papinhos chatos (o indivíduo era um idiota, era de dar nojo). Mas ta, continuei agüentando e quando deu uma brecha ele me lascou um beijo. Ah que horror, será que nem beijar ele sabe? Ok, não perdi o meu foco, precisava continuar… Então, depois de um tempo nesse lenga lenga, resolvi pedir se ele gostaria de ir para algum lugar mais reservado. Lógico que ele aceitou na hora, homens não pensam com a cabeça, eles pensam com o pênis.

Saímos discretamente e seguimos caminhando até ficarmos no meio de um matagal, ele me empurrou contra a árvore e já começou a tirar a cinta. Naquele momento, eu senti um medo me corroendo os ossos, até parecia que era eu a vítima. Não, isso não podia acontecer. Olhei para ele e disse mansamente: “Ow querido, não iremos ter as preliminares?” Vi uma careta sendo feita em sua face, aquilo já fez meu sangue ferver e eu disse novamente num tom mais suave ainda: “Por favor… você quer que seja bom para ambos, não quer?” Ele pareceu se contorcer por dentro, mas aceitou. Puxei minha bolsa e dentro tirei um frasquinho com líquido transparente. Caminhei lentamente e parei diante seu rosto. Puxei sua camisa para fora e abri os botões, ele estava ficando descontrolado. Quando tirei a camisa, comecei a contornar seu corpo com as minhas mãos. Ele se deitou junto as folhas caídas e nitidamente visível, a única parte de seu corpo em pé era seu “membro”. Abri sua calça, peguei o frasco novamente na mão e tirei a cueca. Ao ver aquele frasco na minha mão, perguntou: “O que é isso?” Instantaneamente eu disse: “Ah, isso é um super lubrificante, vai adorar”. Ele fez aquela cara de bobo e levantou a cabeça um pouco mais para ver melhor. Abri o frasco e despejei sobre o pênis. Aquele momento foi inesquecível, ele deu um grito ensurdecedor e agarrou meu braço esquerdo. Com a mão direita livre, peguei o canivete que havia em meu bolso e cortei os dedos que me seguravam. Ele retirou a mão rapidamente e começou a me insultar. Tentou me atacar, eu revidei no mesmo instante e acabei furando seu coração, cortando sua garganta, arranhando seu rosto e por fim, finquei o canivete em seu estomago.

Mais um prazer que tive naquela noite. Outra sensação formidável, fazer um ser inútil se tornar um ser sem vida. Cutuquei seu pênis para ver se o líquido havia funcionado. E funcionou, seu pênis, mesmo depois de morto, permaneceu intacto de pé. Ótimo, fui para a última etapa dos meus prazeres conquistados durante o dia. Sentir prazer depende somente de uma única pessoa, de mim mesma.

A breve história de Lorucio e Milinu

Autora: Laize Kasmirski

Fulvio Pennacchi - Casal

Na calada da noite, um homem corria. Corria porque tinha medo, corria porque sabia que se ficasse morreria. Coitado daquele homem, não sabia como escaparia.

Era dia 23 de setembro do ano de 1983, tinha acabado de fazer amor com a esposa de seu amigo. Isso mesmo, o cara era um baita sem-vergonha (para não dizer outros nomes). Aquele homem, cujo nome era Murias, tinha um caso com Milinu, a qual era esposa de Lorucio, que este era uma vez um de seus melhores amigos. Mas que história desgraçada hein? O que vão pensar do escritor para escrever uma coisa dessas? Pois é caro leitor, o escritor dessa história, um cara não muito mais de meia idade, sofria ao escrever. Será que a história era sua história? Não há como nós sabermos, mas o bendito, pelo que me disseram, chorava durante dias, o que mais poderíamos pensar? Porém pelo que sei, o nome daquele que escreveu essa história não era Lorucio… Pois isso também nada indicaria, pode ser somente que o escritor escondia o que sofria. Então, continuarei a detalhar os fatos.

Lorucio foi casado com Milinu durante cinco anos, três meses e catorze dias. Quer saber quem me contou isso? Ninguém, eu descobri, tá ok, eu bisbilhotei… Que diferença faz? O bom apenas é que eu sei. Disseram me também, que Milinu vivia passeando na rua, ela com certeza tinha outros além do Murias, não esquecendo que seu marido era o Lorucio. Mas que mulher galinha, como seu marido nunca foi descubrar que havia galhos em sua cabeça de boi? Bem, a explicação que podemos dar é a seguinte: provavelmente o senhor Lorucio e a dona Milinu quando pequenos eram bezerros e agora que cresceram ele se tornou um chifrudo e ela uma vaca. Pelo que soube, vai nascer terneirinho. Mas oh coitado, quem será o pai? O Lorucio queria fazer DNA, mas como estavam sem dinheiro, Milinu iria dizer que é filho de Murias. Quer saber por que? Porque era o cara que menos fedia, ou seja, tinha dinheiro para disfarçar seu cheiro.

E afinal o que deu dessa história? Podemos dizer que quando Lorucio chegou em casa naquele dia, ele percebeu que Milinu sorria. Aquilo não era um fato que presenciava constantemente. Pegou a espingarda, apontou para sua mulher e disse: – Quem é o cretino? – Ela confessou logo em seguida, rapidamente acrescentou que esperava um filho e não sabia de quem seria. O homem saiu atordoado atrás do homem que corria. Quando finalmente alcançou Murias, Lorucio disse que se ainda quisesse ser seu amigo, sustentaria o filho que teria. E assim finalmente termina a história, acrescentando novamente que não sou o escritor, sou apenas o narrador.

O Individualista e a Flor do Deserto

Autora: Laize Kasmirski

Em algum lugar do deserto, um homem caminhava. Ainda era dia e o sol brilhava, tornando  o momento ainda mais desesperador. A fome não mais existia, porém a sede que tinha, era imensa. Às vezes, caia na areia, sem vontade mais de levantar, preferia morrer, mas tinha que continuar. Levantava novamente, quase sem forças e voltava a andar. Assim perdurou sua viagem até o final do dia…

O sol estava se pondo, a lua surgindo e a escuridão se aproximava. O homem resolveu parar para descansar. Tirou de sua bolsa seus pertences e estendeu uma toalha sobre a areia. Remexeu novamente em sua mala em busca de algum galão de água, mesmo sabendo que não mais havia. No instante em que encostou sua cabeça sobre um rolinho de pano, já deitado no chão, viu que havia uma flor roxa muito próxima de onde havia deitado. Com preguiça de levantar, se arrastou alguns centímetros e ficou bem próximo a beleza da qual a flor transmitia. O homem percebeu que ela não era uma simples flor, ela tinha pétalas longas e finas, um miolo branco e era possível ver nitidamente que havia dois olhinhos e uma boca ali também.

A flor, abriu os olhos, franziu a sua pequena boca e disse:

– O que foi homem estranho? Nunca viu uma flor na sua vida não?

O homem chocado com o fato da flor falar disse:

– Claro que eu já vi uma flor, mas não uma que possuísse olhos e boca, muito menos que falasse.

– Senhor, isso é absolutamente normal. No caso de nunca ter notado antes, talvez fosse o senhor muito ocupado. – Respondeu a flor roxa.

– Como posso ser um homem ocupado se estou a vagar por esse deserto a dias? Agora nada me resta… Nem se quer  água para sobreviver eu tenho.

– Mas o que o senhor faz no deserto? Qual e a sua missão? – Questionou a flor.

– Florzinha, não adianta eu lhe dizer nada sobre o que me passa e o que já me passou, você nunca iria entender, pois vive e sempre viveu ai, plantada!

– Como ousa dizer isso de mim, caro perdido. Pelo que percebo, você que não tem dado sentido a sua vida. Eu ao contrário, sei tudo o que se passa nesse deserto e como você pode notar, não estou morrendo e nem difamando os próximos ao qual converso.

– O que esta querendo dizer com isso? – Respondeu o homem agora intrigado.

– Estou dizendo que estou sintonizada ao planeta, eu sei de minha existência e sei do que sou capaz de fazer e não fazer. O senhor já esta nesse deserto há meses e nunca conseguirá sair se não conseguir abrir essa sua mente. – A flor nesse momento, levantou um de seu galhos para o céu.

– Por que diz que não irei sair do deserto enquanto não abrir minha mente? O que você, somente uma flor, pode dizer disso? – Argumentou o homem já pensando estar delirando.

– Como eu já lhe disse, caro ignorante, estou sintonizada ao planeta. Posso saber o que se passa nesse sua cabeça apenas captando a energia que você transmite.

– Nossa, fiquei até comovido agora. – Insinuou o homem sarcasticamente.

– Pois bem, irá ficar muito mais quando não lhe restar nem forças para dar mais um passo. Você deveria ser um pouco mais humilde, sabia?

– Não me diga o que eu deveria ser, isso eu já sei. – Apesar do tom de voz ainda ser cínico, já demonstrava certo arrependimento por suas palavras grosseiras.

– Ah, sabe?? Pois bem, então diga!! – Exigiu a flor.

– Preciso de ajuda, não consigo mais resistir aos sofrimentos causados pelo deserto. Em alguns dias, morrerei e não é isso que quero, quero apenas viver feliz. – O homem sentiu-se humilhado, mas ao menos estava mais aliviado.

– Ok, o senhor já está melhorando…Vamos começar pela pergunta que já lhe fiz: Qual é a sua missão? O que lhe trouxe aqui no deserto?

– Eu não sei! Enviaram-me para cá e somente disseram: já que você deseja ser tão solitário, individual e egoísta, aprenda uma lição.

– Hummmm – A flor pensou um pouco e disse – E, acho que já aprendeu a lição.

A flor começou a murchar e se encolher. O homem desesperado ao ver o que acontecia, gritou:

– Não Flor! Não morra! És minha única companheira em tanto tempo durante minha vida.

A flor olhou para o homem, deu um leve sorriso e desapareceu entre a areia. O homem começou a soluçar e soluçando acordou. Estava em sua cama, sonhando… Será que tudo não se passou de um sonho? Bem, talvez ele estivesse entrado em sintonia com a flor no deserto, mesmo nunca ter ido ate lá. Mas foi tudo tão real…

O homem sentou e pensou: mas se tudo não se passou de um sonho, então posso continuar minha vida sem dar muita importância a isso, aliás, nem sou tão individualista assim, não é mesmo?

Peter e o segredo da Guerra Arábica

Olá queridas pessoas, hoje vou postar um conto que fiz no início de setembro. Pouco tempo atrás deixei aqui a sinopse e como o prometido, abaixo está o conto. Para os que não se abaterem pela preguiça, boa leitura ; )

guerra

Era um dia chuvoso, mas não um dia chuvoso qualquer. Era um dia escuro, frio, tenebroso e chuvoso. A chuva caia tão forte sobre o telhado dando impressão que a qualquer momento o teto iria desabar. O vento soprava nas árvores fazendo-as balançar de um lado para outro, folhas caíam interruptamente. As janelas mesmo que trancadas se debatiam contra a fechadura, contudo ainda se ouvia o uuuuuuuuuuu que parecia mais um uivado de lobos que o som da ventania.

Peter estava tremendo embaixo da cama, toda vez que ouvia um trovão ele saltava com susto e batia sua cabeça contra as ripas que sustentavam a cama. Estava com tanto medo que se aparece alguém àquela hora provavelmente surtaria. Era um menino miudinho, com cabelos lisos castanhos escuros que escorriam sobre seus ombros, seus olhos tinham um tom de castanho avermelhado e sua pele era branco como leite. Peter era simplesmente uma gracinha para as menininhas de todas as idades. Apesar disso, seu maior companheiro era o Black, seu cachorro pastor alemão preto. Viviam em uma casa rústica de madeira, subindo as escadas estavam o quarto de Peter e o quarto de sua mãe. A mãe de Peter se chamava Isadora, no entanto, todos a chamavam somente de Dora (a pedido dela mesma). Dora tinha cabelos lisos e pretos que atingiam a metade das costas. Seus olhos, ao contrário de Peter, eram verdes. Um verde musgo intenso, fazendo lembrar as folhas da floresta. Sua pele branca como a de Peter, com um detalhe, era destacada por suas poucas sardas. Era considerada a mulher mais linda da cidade (a cidade é pequeníssima), seu corpo esbelto e sua postura ereta eram de causar inveja a olhos de outras mocinhas.

A chuva não parecia que daria trégua tão cedo, Peter estava começando a ficar com fome, mas não tinha coragem nem sequer de olhar para o que poderia ter no outro lado da porta. Black estava deitado próximo a ele, com suas patas dianteiras abaixo de sua cabeça. Suas orelhas bem erguidas, prestando atenção em cada ruído que ouvia. A cada tleck que fazia do som da madeira sendo estralada, o cachorro instantaneamente erguia a cabeça e o menino se assustava. Após duas horas de intensos sustos e batidas de cabeça, o tempo começa a se acalmar. Aliviado, Peter suspira e nisso ouve alguém bater na porta da frente que abre para sala. Não sabia se deveria ir atender ou não. Continue reading “Peter e o segredo da Guerra Arábica”

Sinopse – Peter e o segredo da Guerra Arábica

guerraPeter e o segredo da Guerra Arábica foi um novo conto que fiz, logo logo estará aqui dando a graça de sua presença no blog.  Segue abaixo a sinopse:

Peter vivia com sua mãe Dora e seu cão chamado Black. Seu pai havia morrido em um acidente de carro quando Peter tinha dois anos de idade – pelo menos era o que sua mãe sempre dizia.

Um dia sem suspeita alguma, Black fora seqüestrado e para que Peter pudesse ter o seu cão de volta, a única coisa que teria que fazer é encontrar o responsável pelo seqüestro e escutar o que tinha a dizer. O que o seqüestrador queria falar para Peter? Isso também era um mistério para o garoto, pois não tinha idéia do que se tratava. No decorrer da história, Peter saberá que seu pai não havia sofrido um acidente e sim morrido em uma guerra. A guerra que fora cometida em busca de direitos humanos e democracia.

Assombrações

Autora: Laize Kasmirski

assombracoes

História baseada em fatos reais, nomes são fictícios.

Aquela noite eu estava com medo, muito medo.

Era dezembro do ano passo, dois dias após o natal. Estávamos visitando parentes e aquela era a segunda noite em qual dormíamos ali.

Meus tios possuem um comportamento estranho, vivem discutindo e arranjando problemas um com o outro. Mas antes era diferente, bem diferente, antes de meus primos morrerem, eram três irmãos e os três únicos filhos que possuíam. É árduo lembrar o momento em que ficamos sabendo da notícia. Dois deles eram mais velhos que eu e a moça possuía a minha idade, foi realmente muito chocante.

Lembro como se fosse ontem, eu estava na escola quando recebi a notícia que meu avô havia morrido, partimos nessa mesma noite para o velório. Passamos a noite tremendo de frio, pois o clima era gelado, bem gelado. No outro dia de manhã cedo, foi o enterro, meus tios ligavam para um dos meus primos preocupados porque ainda não haviam chegado, porém a ligação nunca se completava.

Havíamos acabado de almoçar e chegam outros tios com a notícia que houvera um acidente e uma moça havia morrido. Todos apavorados, minha tia com a mão na cabeça dizendo: Katie, ou não, Katie não. Mas ela não ainda sabia a pior notícia que estava por vir. Após alguns minutos, recebemos uma ligação, não era apenas Simone que estava morta, era todos os seus filhos!

Fui junto ao IML para reconhecimento dos corpos, confesso que a cena era tenebrosa.

Colocaram os pedaços de corpos em cima das mesas, disseram que um deles antes de ser “montado”, era apenas um montinho de carne. Estavam em três mesas, não havia como reconhecer eles, eram apenas restos carnais tentando manter a forma de cadáveres. Após isso fomos ver o local do acidente, havia até pedaços de cérebros grudados no pára-choque do caminhão. Toda vez em que citam os seus nomes recordo deles vivos, porém esta cena também vem em mente.

Faz uns dois anos meus tios adotaram duas crianças, conseguimos perceber que elas estão ali apenas para ajudar no sítio. Não há amor nas palavras que são transmitidas à elas, sempre de uma forma de cobrança e grosseria. Para ter uma noção, houve um dia que meu tio comentou: “tenho medo que o Eric cresça e nos mate”. É bem isso mesmo, já da para ter uma noção agora do que podem estar sentindo: pressão e angústia, que poderá vir a se tornar em vingança.

A casa deles é de madeira, possui dois quartos, sala, cozinha, sacada, dois banheiros e mais um espaço para uma mesa e fogão a lenha. Há um morro atrás da casa, que faz parte do pasto, do outro lado possui uma lagoa, um paiol e um rancho. Logo abaixo, possui um escasso rio, que chamam de “açude” ou “sanguinha”.

No dia 27, eu e minha irmã fomos dar uma volta. Subimos o morro e atravessamos para o outro morro (que também fazia parte do terreno), o Eric nos seguiu. Pedi para ele espantar as vacas para passarmos, não é necessário falar que tinha medo delas. Logo, o Eric sumiu… Eu e minha irmã fomos até um lugar com uma bonita paisagem e nos sentamos. Passou-se uma hora no máximo, as vacas começaram a vir em nossa direção. Comecei a me apavorar, sentei ao outro lado de minha irmã, assim as vacas viriam na direção dela. As vacas começaram a chegar perto, bem perto. Paravam em nossa frente e ficavam nos encarando. Eu tinha vontade de sair correndo, mas eu nem se quer podia, estava rodeada por vacas. Até que, uma vaca deu a volta em nossa frente e parou justamente ao meu lado (Por queee justo eeeu??) Ela me encarava, deu um passo a frente e olhou no fundo dos meus olhos. Senti que ela queria me dizer alguma coisa, ela confiava em mim, achava que iríamos salvá-las. Então, mesmo com medo, eu passei a mão sobre seu fucinho, ela se tranqüilizou e voltou para a roda. Porém, não se passa muito tempo e vem outra vaca bem do meu lado. Comecei a me sentir uma curandeira, aonde todos vinham pedindo ajuda. Fiz a mesma coisa, fiquei olhando para ela e depois fiz um “carinho”, logo ela saiu também. Percebi que as vacas possuíam um segredo entre elas, andavam amedrontadas, precisam de ajuda para fugir dali. Começou a escurecer, descemos o morro e fomos para casa da tia.

Aquela noite eu e a minha irmã dormimos sozinhas na sala. Na sala tinha muitas fotos dos três filhos falecidos. Confesso que todas as vezes que olhava lembrava deles mais jovens. Foi difícil dormir, era difícil parar de pensar neles, virava para um lado e aparecia o rosto de um, virava para o outro surgia o outro, tentava mudar os pensamentos e aparecia ela. O pior ainda não era isso… Foi quando os barulhos começaram…Havia barulhos na cozinha, um som de abrindo e fechando a geladeira em poucos instantes. Tinha barulhos de rangidos de madeira, como se alguém puxasse o banco para sentar próximo à mesa. Ouvia-se passos freqüentes em um quarto, da cama em direção a porta. Teve um instante que não pude mais agüentar, os barulhos da cozinha ficaram mais intensos e mais próximos, chacoalhei minha irmã e nada, chacoalhei de novo e ela acordou. Falei para ela:

– Juana! Liga a luz.

– Por quê?

– Juana, por favor, liga a luz!

Ela foi até o final do colchão, sentou e procurou a tomada e disse:

– Não estou encontrando, mas por que você quer que ligue a luz?

– Eu estou ouvindo barulhos na cozinha!

– Ah, isso não é nada, tem um monte de barulhos, cachorros, galinhas, gatos… e além do mais, se tiver alguém aqui você irá estar chamando a atenção ligando a luz né?!

Ela voltou e deitou-se novamente, eu estava suando, não conseguia nem respirar direito, mas mesmo assim tentei virar para o lado e dormir. Logo, o barulho começou de novo e minha irmã ouviu.

– É você tinha razão, tem barulhos estranhos. Segura a minha mão.

Eu agarrei a mão dela e me mantinha atenta a qualquer ruído, toda vez que ouvia alguma coisa eu apertava ainda mais a sua mão. Era uma noite quente, porém eu estava com gripe e estava coberta por uma coberta de pêlo. Comecei a suar muito, ouvi novamente o barulho no quarto, o som de passos. Eu pedia em pensamento que alguém abrisse aquela maldita porta e saísse, mas na hora que provavelmente era hora de abrir a porta o silêncio voltava, era sinistro. A noite não passava, não sou muito religiosa, mas nessas horas a gente reza, reza para que o dia chegue, reza para que as assombrações saiam de sua cabeça, reza que os barulhos parassem e reza para que as vacas não estivessem certas, que era preciso fugir.

Após muitos calafrios, sustos e alucinações, minha mãe sai do quarto e vem em direção ao banheiro. Eu e minha irmã levantamos e seguimos, a Juana entrou no banheiro com a minha mãe e contou o que estávamos ouvindo e era justamente isso que minha mãe não queria ouvir, ela também estava ouvindo os sons e estava com medo. Fomos dormir novamente, ou melhor, deitar de novo. Passa-se uma hora mais ou menos e por fim eu pego no sono.

No outro dia de manhã comentamos para os tios sobre os barulhos sinistros, porém disseram que era apenas uma raposa que andava pelo sótão. Não acreditamos muito na idéia da raposa, acreditamos que apenas estão tentando esconder alguma coisa. Suspeito eu que o ataque mesmo será neste final de ano, pois minha tia comentou: Você vai vir aqui novamente nos visitar né, não é por causa do barulho que irá deixar de vir…

Toda vez que lembro ou penso neles sinto um calafrio na espinha, melhor não detalhar muito, podem não gostar.

O trauma que me matou

Autora: Laize Kasmirski

cemiterio

Eu estava pressentindo alguma coisa naquela noite, juro que estava. Já era tarde, naquele dia eu havia voltado de ônibus para casa e já estava próximo das 23h. Lembro que usava uma bata verde, uma calça jeans e uma sandália sem salto, um conjunto de roupa que não costumo usar no meu dia a dia.

A aula havia terminado mais cedo, a esposa do professor estava sofrendo com sua hipertensão. Então eu fui para o laboratório de informática, falei com meu noivo sobre a possibilidade de vir me buscar, mas ele não quis (sabem como homem é né, arranjam desculpa para tudo). Perto das 22h eu resolvi ir ao banheiro e seguiria meu rumo até o ponto de ônibus, pois o ônibus costumava sair as 22:30h. Chegando ao ponto de ônbus eu sentei, fiquei aguardando 20 minutos. Nestes 20 min apareceu uma “colega” e começamos a conversar, ela estava ficando desesperada, pois pegaria um outro ônibus, porém como ela estava “naqueles dias” estava vindo muito. Meu ônibus chega e sou a única a entrar, lá dentro haviam no máximo 6 pessoas, talvez 7 com o motorista.

Ao descer do ônibus uma fina garoa começa a cair. Atravessei o asfalto e comecei a subir o morro. Meus cincos sentidos estavam bem aguçados, algo que me dava um certo calafrio ao mesmo tempo. Ouvia o som das cigarras, dos grilos, sapos, cachorros e inclusive dos girinos nas poças de água, que se encontravam à beirada da rua.

Estava chegando próximo ao cemitério e resolvi abrir o guarda-chuva, eu tinha a sensação que alguém me observava. A luz do quartinho da capela estava acesa, porém não havia nenhum carro ou sinal de vida por ali. Percebi que alguém me seguia lentamente e sempre ficava em uma distância calculada. Pensei em fechar o guarda chuva, pois se alguém me atacasse eu teria pelo menos chance de me defender. Mas não fechei, estava começando achar que aquilo tudo não passava de uma paranóia causada pelo cansaço mental.

O cemitério estava escuro, apenas a rua possuía algum tipo de iluminação. Mas não pense que o cemitério é apenas de um lado da rua, que se você não quisesse vê-lo era só olhar para o outro lado. O cemitério é cortado pela rua onde eu atravessava, não havia como desviar. Quando estava descendo o morro, senti que alguém realmente estava atrás de mim, tive medo de olhar. Apressei meu passo, mas os passos dele também aumentaram. Comecei a me apavorar, meu sangue começou a subir para cabeça e meu coração disparara. Não conseguia mais pensar, nem mesmo de como poderia me defender, eu estava entrando num estado de desespero. Num instante, olhei para outra rua que levava aos túmulos do cemitério e vi um vulto. Eu não conseguia acreditar, mas não tinha mais coragem de olhar novamente e ver que realmente estava ali.

Minha respiração começou a ficar ofegante, meus passos aumentaram tanto a velocidade que percebi que corria e não mais caminhava. Não havia mais ninguém na rua, as luzes das casas estavam todas apagadas e as luzes dos postes eram muito fracas. Com o guarda chuva aberto era difícil fugir, soltei o guarda chuva e corri, corri o mais rápido que minhas pernas poderiam aguentar, no entanto só senti uma mão agarrando minha boca e um braço me segurando pela barriga. Não, aquilo não poderia estar acontecendo comigo, não por favor não, sempre tive pavor em ao menos de pensar nisso.

Era um homem escuro, com um olhar fundo e sem qualquer emoção, era uns 40cm maior que eu. Vestia uma roupa surrada preta e uma galocha marrom, tinha um fedor de cigarro e possuía uma cicatriz próximo a boca.

Ele foi me puxando para o mato, eu tentava gritar, tentava chutar, bater mas nada adiantava, ele era muito mais forte que eu. Comecei a chorar, a me esperniar e tranquei minha respiração. Eu queria morrer, do que acreditar que tudo isso estivesse acontecendo. Ele me jogou contra uma árvore, encostou seu corpo no meu afim de me segurar com pressão, tirou minha blusa bruscamente, abaixou minhas calças sem nem sequer abrir o zíper e deu um tapa em meu rosto. Eu usava TODAS as minhas forças possíveis para me defender e nada adiantava. Chorava, segurava a respiração para me suicidar, mas sempre soltava-a surtando. Ele abriu o seu zíper da calça e tentei dar uma joelhada naquele lugar, ele me deu um soco em minha mandíbula, doeu muito, mas confesso que minha aflição era muito maior. Ele penetrou em mim e quase desmaiei de dor, não conseguia mais raciocinar, senti mais socos e tapas e apaguei.

Não me recordo do resto do fato, realmente prefiro nem saber. Disseram que fui encontrada no dia seguinte, jogada no mato próximo à esquina de minha casa. Fiquei uma semana no hospital e agora a única coisa que consigo pensar foi aquela noite, maldita noite. Se acham que irei superar isso e viver minha vida alegremente…estão enganados. Estou com uma faca em minha mão direita, prestes a cortar meu pulso esquerdo e para garantir vou passar a faca em meu pescoço.

Estas são as minhas últimas palavras.

Crime perfeito (parte II – final)

Autora: Laize Kasmirski

faixa conto cp

No outro dia de manhã eu fui até a delegacia. Já tinham encontrado o cara, na hora eu já pedi para vê-lo. Trouxeram-no até a sala de visitas e fui conversar com ele.

– Quem você pensa que é para fazer isso comigo? Você ainda acha que vai se sair bem dessa? Ah, não vai não. Nem imagina o que te espera.

Ele não respondeu nada, somente ficou olhando-me com uma cara de idiota, que me deixava mais revoltado ainda. Mas ele vai ver só. Sai dali bufando de raiva e gritei para o policial que queria vê-lo condenado o mais breve possível. Passaram-se alguns minutos e o delegado me chama em sua sala. Eu contei tudo que havia acontecido e que não restava dúvida alguma que aquele infeliz era o culpado.

– Senhor, por enquanto não podemos fazer nada, somente deixá-lo preso até termos provas suficientes. Assim que provarmos tudo, ele será imediatamente executado.

– Obrigado. Agora me dêem licença, pois preciso ir ao velório de minha esposa.

– Ok, Deus lhe acompanhe e lhe de forças.

-Obrigado.

Cheguei ao velório, estava lotado. Algumas pessoas de pé, outras sentadas, chorando desesperadamente. Aproximei-me de seu corpo e apreciei por alguns segundos seu rosto. Ela era realmente linda, perdi. Tudo bem, faz parte da vida… um dia todo mundo morre, essa vez foi ela, outro dia será eu. É a única certeza de nossa vida, a morte. Não fiz questão de ficar muito tempo ali. O clima estava carregado, algo que me deixava muito tenso e fazia com que me sentisse mais culpado ainda. Olhei-a pela última vez, da cabeça aos pés e sem olhar para os lados eu sai em direção ao carro.

Quando cheguei em casa eu corri para o quarto e tranquei a porta. Tive a sensação de estar enlouquecendo, tudo estava fora de órbita. Sentei na cama e com a cabeça entre as mãos eu chorei. Chorei pouco, era mais para aliviar o stress que tudo estava me causando. Logo, me levantei e estava com meus pensamentos focados no plano, nada daria errado. Liguei para o advogado para que ele estivesse preparado mentalmente para o dia seguinte (o dia do julgamento). Após ter colocado o telefone no gancho, senti um frio na espinha e minha esposa surgiu em minha mente. Não importa o que acontecesse, eu não desistiria agora. Peguei uma muda de roupa e fui para o banheiro tomar um banho. Percebi que faltava uma coisa ainda para terminar meu dia, uma dose de whisky e estaria pronto para dormir. Fui até a dispensa e abri o armário para beber um gole, tomei direto na garrafa mesmo, agora não tinha mais a mulher para me impedir. Então, após ter bebido quase meia garrafa, fui dormir.

No outro dia cedo, estava com uma dor de cabeça imensa, mas teria que estar no tribunal às 9h, não podia me atrasar ainda mais que eu precisava passar um ar de confiança ao juiz. Consegui chegar 15 min adiantado e sentei ao lado do meu advogado.

– Bom dia, como vai?

– Estou bem e o senhor?

– Estou um pouco com dor de cabeça, mas nada que não seja suportável. Tudo certo para a condução do julgamento?

– Sim, tudo ocorrerá conforme o combinado.

– Perfeito.

Passaram-se uns 5 min e o outro entrou. Ele olhou rapidamente para nossa direção e logo se pos a sentar próximo ao seu advogado. Seus olhos estavam aflitos e pude notar suava de ansiedade e temor. Logo o juiz entra e inicia:

– Senhores bom dia, estamos aqui para o julgamento do senhor João Flavio Kavianino por ser acusado pela morte da senhora Mariléia Queitino, esposa do senhor Gregório Queitino que está também aqui presente. Então Sr. Kavianino favor sentar nesta cadeira (apontou próximo a dele) e espero que esteja preparado para responder todas as perguntas que serão lhe feitas. Sr, Kavianino, você jura dizer a verdade, nada mais que a verdade?

– Sim, juro.

– Sr. Kavianino, faça o favor de colocar a mão em cima da bíblia ao responder que sim. Como poderemos desta forma confiar em suas palavras?

– Oh, desculpe.

– Sem mais desculpas. Comecem o interrogatório.

Nesse momento, meu advogado deu um leve sorriso para mim e se levantou caminhando em direção ao João.

– Sr. Kavianino, irei iniciar o interrogatório com algumas perguntas básicas.

– Sim, estou à disposição.

– Não pedi se estava à disposição ou não, quero que apenas responda.

– Sim.

– O senhor estava em sua casa na noite do último domingo, dia 14/05, às 23h?

– Não senhor, não estava.

– O senhor pode me dizer aonde estava se não estava em casa?

– Eu estava na casa da Mariléia.

– Podemos saber o que o senhor fazia lá aquela hora?

– Ham, será que preciso responder?

Um leve e debochado sorriso apareceu em seus lábios. Meu sangue ferveu na hora, cretino, miserável, ainda tem a cara de pau de fazer sarcasmo. Vou manter a calma, ele vai ter o que merece.

– Então, o senhor afirma estar tendo um caso com a Sra. Queitino enquanto o Sr. Queitino estava ausente?

– Sim, eu admito.

– Foram quantas vezes?

– Uhhh, muitas, perdi a contagem hehe.

– Como o senhor ousa ainda fazer gracinhas perante um caso que poderá te condenar a morte?

– Eu não tenho medo de morrer.

– Ah, sim. Aposto que seja porque realmente sabe que foi um crime doloso. Que todas as provas estão contra você.

– Que seja feita a justiça perante o certo e o errado.

– Você está admitindo que foi o culpado pela morte da senhora?

– Certamente que sim, se o Sr. Queitino não tivesse nos flagrado na cama, ela não teria sido morta.

– Meritíssimo, sem mais perguntas.

O juiz se ausentou por alguns minutos para a tomada de decisão. Eu estava incrédulo, o jogo estava mais fácil do que pensei que iria ser. Ele estava se entregando, o que será que ele estava pensando para agir assim? Realmente não me importo. O importante era que logo eu venceria o caso, tudo estava a meu favor. Passaram-se 8 minutos e o juiz retorna batendo com o martelo:

– Silêncio no tribunal!

O silêncio se fez, todos o fitaram para saber a decisão.

– Declaro o Sr. Kavianino culpado. Será executado daqui uma semana. Se alguém tiver alguma coisa para depor, favor entrar em contado até quinta-feira. Tenham um bom dia.

Ótimo, agora eu estava livre, podia encaminhar os documentos para receber todos os direitos perante minha falecida esposa. Pensando assim, até que foi bom ter acontecido tudo da forma que aconteceu, não poderia ter sido melhor. Eu não a amava o suficiente, pelo menos ainda tenho como me sustentar. Foi tão simples, apenas encontra-la com outro na cama, mata-la e se fazer de coitado para a culpa cair no outro. Aliás, como o idiota mesmo disse: se não fosse por ele, ela não estaria morta.

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